Muita gente no Brasil acha que design é tornar bonito o trabalho do engenheiro. Errado. Já faz tempo que design não é mais estética industrial, como inclusive era chamado no início do século XX, na França. Design, em inglês, significa projeto, nada mais. Se você planeja, avalia, executa de acordo com um desígnio, então você faz design. A palavra, nos países onde o design é levado a sério, não tem a conotação que tem aqui, de status e pomposidade. Usa-se design, no Brasil, do mesmo jeito que “sustentabilidade” ou “ecológico”. Ou seja, como mero artifício publicitário.

Quando era criança, um amigo meu dizia que os rádios daquela época (anos 80) tinham um monte de LEDs por dois motivos: se eram ruins, era para parecerem bons; se eram bons, era para ficarem mais caros. O mesmo pode-se dizer do design no Brasil. Inflação de significados para atender a propósitos mercadológicos, sem nenhuma consideração pelo conteúdo da palavra, muito menos respeito ao consumidor.

Pode parecer uma generalização um tanto grosseira do design no Brasil, mas acredito que a regra geral é esta, e o design de verdade, aquele de que falavam designers como Gui Bonsieppe, este ainda é exceção no Brasil. Culpa de um empresariado tosco, dinheirista, explorador e descendente dos senhores de engenho; culpa também do sistema educacional que embarcou na caravana da alegria da globalização e disseminou como design esta farsa que é praticada a torto e a direito; culpa dos designers que não tem coragem de assumir uma postura, seja coletiva, seja individualmente, profissional e ética, culpando a “dura realidade do mercado” pela situação da profissão, e culpa de uma classe média consumista, fútil, superficial que só liga para aparência e status.

Por outro lado, não vamos repetir o discurso dos designers que não conseguem aceitar a vida como ela é, e ficam pregando um design utópico para uma sociedade inexistente. Quer fazer a diferença? Então procure um cliente que precisa de design, eduque-o, convença-o, tire o dinheiro dele e o ajude a ganhar mais dinheiro fazendo o certo, sem enrolar seus clientes. Impossível? Acho que não. Basta parar de sonhar em produzir a mais nova “cadeira dos sonhos” ou luminária decorativa, que disso as lojinhas de decoração estão abarrotadas, e olhar em volta, para as pequenas lojas, negócios, a lavadeira da esquina, as milhares de pequenas galerias, enfim, todos os que nunca pensaram em design, que não sabem o que significa design, mas que precisam de uma placa, de um móvel para seu balcão, de um site ou blog, de uma identidade visual. E onde elas vão buscar isso? Nos escritórios de design, que ninguém sabe onde ficam? No google, onde os sites dos designers não aparecem porque são feitos em “flash”? Não, eles vão na gráfica da esquina porque lá eles fazem placas e totens, e portanto devem ser os mais indicados para isso. E onde estava o designer neste momento?

Sejam vistos, e serão contratados. Sejam claros, e serão compreendidos. Sejam sinceros, e serão respeitados. Como bem disse Alexander Manu, se um produto é necessário, e existem pessoas com dinheiro que o desejam, ele será vendido. Portanto, vamos parar de reclamar e tratar de nos fazermos entender. Se os egos dos designers não permitem que se faça isso coletivamente, então façamos disso uma virtude pessoal.

Ou não…

Equipe Intelego 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *